Português

Crase para Concurso: Domine a Prova da IVIN

Por Francisco Gomes (Fundador Passa Cumaru) • 15 Jun, 2026

Poucos temas geram tanto pavor no candidato quanto a crase para concurso. E o motivo é simples: a banca IVIN adora cobrá-la escondida dentro de frases de Direito, de Português puro ou até de comandos de questões de outras matérias. Se você ainda decora regras soltas sem entender a lógica por trás delas, este guia vai mudar sua relação com esse acento tão temido.

O que é a crase, afinal

A crase é a fusão de duas vogais "a" idênticas: a preposição "a" e o artigo feminino "a" (ou o "a" inicial de pronomes demonstrativos como "aquela", "aquilo"). Ela não é um capricho gramatical, ela indica que, na frase, há um termo regente que exige a preposição "a" e um termo regido que é feminino e admite artigo.

  • Se o verbo ou nome da frase não pede a preposição "a", não há crase.
  • Se o termo seguinte não aceitar artigo feminino ("a"), também não há crase.

O truque da substituição que nunca falha

Troque a palavra feminina por uma masculina equivalente. Se aparecer "ao", há crase; se aparecer só "a", não há.

  • "Fui à reunião" vira "Fui ao encontro" — logo, há crase: "Fui à reunião."
  • "Refiro-me à proposta" vira "Refiro-me ao projeto" — crase confirmada: "Refiro-me à proposta."

Essa técnica sozinha resolve mais de 70% das questões de crase que a IVIN costuma apresentar, porque a maioria dos erros de candidato vem da insegurança em saber se o verbo pede ou não a preposição "a".

Casos que a banca ama cobrar

  • Antes de nomes de lugares: só há crase se o lugar admitir o artigo "a". Se você vai "à Bahia" (porque se diz "venho da Bahia"), há crase. Se você vai "a Cumaru do Norte" (porque se diz "venho de Cumaru do Norte", sem "da"), não há crase.
  • Locuções adverbiais femininas: "às pressas", "à noite", "às vezes", "à mão". Nessas expressões formadas por "a" mais substantivo feminino, a crase é praticamente automática — decore essa lista curta e ganhe pontos fáceis.
  • Antes de "quem", verbos e pronomes masculinos: nunca há crase antes de verbo no infinitivo, antes de pronomes masculinos ou antes de "quem". Ex.: "Estou disposto a ajudar" (nunca "à ajudar").
  • Horas determinadas: "Cheguei às 8h" tem crase porque a expressão admite "chegar à uma hora determinada". Já "Cheguei a pé" jamais tem crase.

A pegadinha da IVIN com pronomes demonstrativos

Um erro comum é achar que só existe crase antes de "a" artigo. Mas a crase também ocorre na fusão da preposição "a" com o "a" inicial de "aquele(a)", "aquilo" e com o pronome relativo "a qual". Exemplo: "Refiro-me àquela decisão administrativa" ou "A lei à qual me refiro já foi revogada."

Exemplo de questão no estilo IVIN

"Assinale a alternativa em que o uso da crase está correto:"

a) Ele foi a Brasília a negócios.

b) Entregamos o documento à Vossa Senhoria.

c) Estou disposto à ajudar no plantão.

d) A reunião começa à partir das 8h.

A resposta correta é a letra (a) — "a negócios" é locução adverbial masculina, sem crase, e "a Brasília" não tem crase por ser viagem a lugar que não admite artigo (correto dizer "venho de Brasília"). Na (b), "Vossa Senhoria" nunca recebe artigo antes, então não há crase. Na (c), antes de verbo no infinitivo nunca há crase. Na (d), "a partir de" é locução prepositiva que nunca tem crase.

Como estudar esse tema sem sofrimento

  • Não tente decorar dezenas de regras soltas. Foque na técnica da substituição e nas quatro exceções acima.
  • Grife, nos seus simulados, toda vez que aparecer "a" antes de substantivo feminino e questione: esse "a" pede artigo? O verbo exige preposição?
  • Refaça as últimas questões de crase da plataforma sem olhar o gabarito primeiro. Depois, confira erro por erro e anote no seu caderno de erros o motivo exato da falha.

Perguntas Frequentes

A crase muda o sentido da frase?

Às vezes sim. "Vou a São Paulo" e "Vou à moda antiga" têm crases em contextos diferentes por motivos diferentes — sempre teste a substituição antes de decidir.

Existe crase antes de nomes próprios de pessoas?

Depende. Antes de nomes femininos, o uso é facultativo na norma culta ("Entreguei o livro a/à Maria"), mas em prova de concurso a banca costuma preferir a ausência de crase nesses casos, salvo indicação contrária no enunciado.

Crase é só "aquele acento na letra A"?

Não. Crase é um fenômeno gramatical (fusão de preposição e artigo), e o acento grave (à) é apenas a marca gráfica que indica essa fusão por escrito.

Crase não é sorte, é lógica. Uma vez que você automatiza o teste da substituição e memoriza as quatro exceções clássicas, esse assunto deixa de ser vilão e passa a ser um dos pontos mais previsíveis da prova de Português da IVIN. Constância nos exercícios é o que separa quem ainda "acha" a resposta de quem "sabe" a resposta.

Francisco Gomes

Francisco Gomes

Idealizador & Conselho Editorial

Idealizador da plataforma Passa Cumaru. Foco em estratégias para o concurso de Cumaru do Norte, desmistificação da banca IVIN e democratização de materiais para concurseiros locais.

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