Português

Concordância Verbal e Nominal: Erros que a IVIN Cobra

Por Francisco Gomes (Fundador Passa Cumaru) • 17 Jun, 2026

A concordância verbal e nominal é, ao lado da crase, um dos assuntos que mais derruba candidato na prova de Português da banca IVIN. E a razão é sempre a mesma: o examinador afasta o verbo ou o adjetivo do termo com o qual ele deveria concordar, criando uma armadilha visual que engana quem lê rápido demais. Dominar esse tema é, literalmente, blindar pontos que a maioria da concorrência vai perder.

Concordância verbal: a regra de ouro

O verbo concorda em número e pessoa com o sujeito da oração. Parece óbvio, mas a banca cria frases longas, com termos intercalados entre o sujeito e o verbo, justamente para confundir essa relação direta.

  • "Chegou os documentos" está errado; o certo é "Chegaram os documentos", pois o sujeito "os documentos" é plural.
  • Com expressões partitivas como "a maioria de", "grande parte de", tanto o singular quanto o plural são aceitos pela norma culta, mas quando a IVIN pede a forma mais recomendada em prova, geralmente cobra a concordância com o núcleo singular ("a maioria... aprovou"). Fique atento ao comando da questão.

Sujeito composto: antes ou depois do verbo muda a regra

  • Sujeito composto antes do verbo: o verbo vai para o plural. "O prefeito e o secretário assinaram o decreto."
  • Sujeito composto depois do verbo: pode concordar no plural ou com o núcleo mais próximo. "Assinou (ou assinaram) o decreto o prefeito e o secretário."

Verbos impessoais: o erro mais cobrado da prova

Alguns verbos não têm sujeito e, por isso, ficam sempre na terceira pessoa do singular. A IVIN adora testar justamente esse ponto:

  • Haver no sentido de existir é impessoal: "Havia muitos candidatos na sala" (nunca "haviam muitos candidatos").
  • Fazer indicando tempo decorrido também é impessoal: "Faz dez anos que ele passou no concurso" (nunca "fazem dez anos").
  • Esses verbos impessoais continuam no singular mesmo quando o verbo auxiliar aparece antes deles: "Deve haver vagas suficientes" (nunca "devem haver").

Concordância nominal: adjetivo, artigo e numeral seguem o substantivo

O adjetivo, o artigo, o pronome e o numeral concordam em gênero e número com o substantivo a que se referem. O problema aparece quando um único adjetivo se refere a vários substantivos de gêneros diferentes.

  • Quando o adjetivo vem depois de substantivos de gêneros diferentes, ele vai para o masculino plural: "Servidor e servidora dedicados."
  • Quando o adjetivo vem antes dos substantivos, ele concorda apenas com o mais próximo: "Dedicada servidora e servidor."

"É proibido" e "é necessário": quando flexiona e quando não

Essa é uma pegadinha clássica de prova. As expressões "é proibido", "é necessário", "é bom", "é preciso" ficam invariáveis quando o sujeito não vem determinado por artigo: "Cerveja é proibido em repartição pública" (sem artigo, invariável), mas "A cerveja é proibida em repartição pública" (com artigo, concorda).

Concordância com pronomes de tratamento

Vossa Excelência, Vossa Senhoria e afins sempre concordam na terceira pessoa, mesmo se referindo a quem está ouvindo diretamente: "Vossa Excelência está enganado" (nunca "estás enganado").

Exemplo de questão no estilo IVIN

"Assinale a alternativa com concordância verbal e nominal corretas segundo a norma culta:"

a) Fazem dois anos que o edital não é publicado.

b) Seguem anexo os documentos solicitados.

c) É necessário cautela na análise do processo.

d) Aluga-se salas comerciais no centro da cidade.

A resposta correta é a letra (c) — "é necessário" fica invariável porque "cautela" não vem determinada por artigo. Na (a), "fazer" indicando tempo é impessoal: o correto é "Faz dois anos". Na (b), "anexo" funciona como adjetivo e deve concordar: "Seguem anexos os documentos". Na (d), "aluga-se" deveria concordar com "salas comerciais": o correto é "Alugam-se salas comerciais".

Perguntas Frequentes

"A maioria dos servidores aprovaram" está errado?

Não necessariamente. A norma culta aceita as duas formas com expressões partitivas, mas em prova objetiva prefira a concordância com o núcleo singular, salvo se o enunciado pedir a forma mais usada na língua falada.

Por que "haver" nunca vai para o plural quando significa existir?

Porque, nesse sentido, ele é impessoal: não tem sujeito, então permanece fixo na terceira pessoa do singular, mesmo diante de um complemento no plural.

Como memorizar rápido os verbos impessoais mais cobrados?

Foque nos três campeões de prova: haver (existir), fazer (tempo decorrido) e ser (horas e datas, como em "São 8 horas" — que na verdade concorda com a expressão numérica, um caso à parte que vale revisar separadamente).

Concordância verbal e nominal são assuntos finitos: existe um número limitado de regras e exceções, e a banca IVIN tende a repetir os mesmos padrões de armadilha em edições diferentes. Ao dominar o truque de identificar o núcleo do sujeito e memorizar os verbos impessoais, você transforma um dos maiores vilões da prova em uma fonte confiável de pontos.

Francisco Gomes

Francisco Gomes

Idealizador & Conselho Editorial

Idealizador da plataforma Passa Cumaru. Foco em estratégias para o concurso de Cumaru do Norte, desmistificação da banca IVIN e democratização de materiais para concurseiros locais.

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